quinta-feira, 28 de outubro de 2010
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Vértices e urzes

cantamos, Fon e eu, à democracia.
Bradamos mil vezes, "diretas já", num coro que
sei, não experimentarei outro igual...
um milhão de seres
um milhão de seres
embriagados de esperança
no chão público do coração paulistano.
no chão público do coração paulistano.
Presentes Brizola, Lula, FHC, Serra, Covas, Ulisses Guimarães...
Todos com bandeiras... brasileiras.
Por uma contingência fortuita do destino, o nosso percurso nos levou
ao pé do palco...
onde todos cheiravam a talco...
e pudemos vibrar com a energia sincera da esperança de venturoso tempo,
com liberdades democráticas garantidas.
onde todos cheiravam a talco...
e pudemos vibrar com a energia sincera da esperança de venturoso tempo,
com liberdades democráticas garantidas.
votos para domingo?
Votos de que todos votemos motivados pela esperança de um Brasil mais justo, menos desigual.
Beijo verde-amarelo-azul e branco, cheio de estrelinhas.
Cathy
Tango sem futuro
já houve o tempo em que pensar foi mais difícil
e que calar era obrigatório
daí
eu falava contra a parede
e pensava sempre com uma máscara.
hoje, também, não é assim tão fácil
cato idéias como caço pratos
falo tão pouco que talvez nem falo
o verbo está assim como preso a um muro
esta canção também é de mentira
este meu tango não tem futuro.
vicente vitoriano
(do livro "vértices do triângulo", 1985)
SONETO
a Maria Teresa MacielFlor tropical esplêndida e louçã,
Rosa lafrance delicada e pura,
Joia de imarcescível formosura,
Fulgurante e odorífera manhã.
Tens as faces tingidas de romã,
E teu olhar da luz do céu fulgura,
Branca de Neve, lírio da candura,
Celestial, bendito talismã.
És uma prece que se faz menina,
Uma pérola nívea e pequenina,
Guardada entre conchinhas multicores
A rainha tu és dos querubins,
Das begônias e cravos e jasmins,
De todos os encantos e esplendores.
Milton Siqueira
Flores e Urzes (página 27). 1958 segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Tons tardios
enquanto as ondas batem na areia
é
terno
o
eterno
terno
em
tons
tardios
Eustachio dos Santos Lima
as taças, o vinho e a maçã
na cama
livros
restos de vontades
apreensão
poemas
arcabouços e soluços líricos
são poucos os sons da madrugada
longe o que ficou no pensamento
vaga na garagem
não mais aquele corpo caído sobre os lençóis
o vinho
as taças
aquele velho sorriso
pequenos frutos entre os dedos
maçã
Eustachio dos Santos Lima
arde um coração
ar de pantera
cegonha
ar de quem ganha
sempre
ar de quem chegou
causando
ar de janeiro
flamboyants
ar de carnaval
nudez
ar de natal
presentes
ar de vendaval
suspense
arde um coração que canta enquanto sangra
e
sangra enquanto espera
sofrendo em tom menor
vizinho da tristeza
Eustachio dos Santos Lima
por inteiro
a quem sorrir primeiro
há que sorrir por inteiro
de janeiro
a janeiro
a quem molha os pés e a alma
na praia
na areia
no mar
andando em si
em sol e fá
fazendo de conta
fazendo que canta
mesmo sem saber cantar
Eustachio dos Santos Lima
inspirado no poeta e amigo do peito
eduardo alexandre garcia - dunga
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Cinza prata
nela, o cinza prata cai como o sol de setembro numa sexta-feira em viena. ela é bonita, mesmo quando o tom revela um bocado de pecado entre o espartilho e alguns sábados passados. são lentos agora os antigos passos apressados. saltos, arremeços e batons. nuvens entre champagnes e beijos. o mar entre as pernas e uma boca pequena, apertada entre a íris e grandes cílios que se comprimem ante a ansiedade que lembra a alegria da primeira bicicleta. olhos e umbigo. azuis e a maciez de uma pele de bebê. sabe. ela faz e ri quando se deita. como uma asa delta, deita ao lado, escorrega. voa entre o luar.
eustachio dos santos lima
ilustração: vicente vitoriano
primavera
é um dia lindíssimo de primavera
depois do banho, ela desce
sai entre as flores e o verde bonito das árvores
alamedas acesas com os raios do sol e a beleza da alegria
mais uma vez ela ri
acontece assim que é azuL
acontece
assim
quando ela
simplesmente
aparece
eustachio sl
terça-feira, 28 de setembro de 2010
O nosso poema processo
Ponto 1, a "Ave" de Pino inaugura o movimento antes de andar. E a caretice no auge sequer sabia do processo em andamento. Processo, palavra chave, mágica, abrangente, voos para uma vanguarda que habitava o tripé da A Palhoça, Cine Clube Tirol e calçada das Cocadas. Poetas do quê? Processo de onde? Explosão: Buuum? A palavra caiu na porta da Livraria Universitária: Track!A(r)mar?, 12 x 9 era Falves, o Olho de Anchieta, 1822 de Nei. Sorria! Es USted Livre? Laércio Bezerra era. E veio Frederico Marcos reinventando o Olho. E Bianor perguntou "E agora?". Veio o sonho, Dailor, Marcos Silva, Sanderson, Juliano e Moacy.
Cirne fazia a ponte do Rio: Álvaro e Neide, o papa Wlademir: Poemas Inaugurais. Poemics. Um tal Projeto Zero de Bosco Lopes. Por uma Vanguarda Nordestina. E de Recife pintou Jomard, Marcone e Bruscky, o dadaísta declarando guerra ao obscurantismo.
BEBA COLA COLA
BABE COLA
BEBA COLA
BABE COCA
CACO COLA
CLOACA
Seja Marginal, seja heroi em Natal. Praia dos Artistas, Proposição 67, humanismo funcional para as massas. Abaixo a Censura e Viva a técnica-operatório: Não se busca o definitivo. Salve o Relativo. Salve o Provisório. Não ao Não. Ação. Crie sua Versão.
Faça humor, faça quadrinhos e xô todas as legendas, a ditadura militar, a velha estética.
E subiu a Paraíba num dia qualquer, com Zé Neumanne, Aderaldo Agnaldo Arnaldo e Regina Coeli: WYKYW. Curta, poemas visuais, pão gigante de Marco Polo, Pátio de São Pedro, Mauriceia. O pau do AI-5, o 68 radical, filhos de Oiticica, seus parangolês. Quem tem medo do 69?: "Toda poesia cabe aqui" na metalíngua de Plínio e Medeiros. Uma quase palavra na boca da privada: Câmbio. Signo de processos: $$?$?, instalações quase elétricas. Finda. Começa. Instauração da Práxis.
Chico Lira
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